Diagnóstico e Nascimento

Não é luto, é vida!


Quando nasce um bebê, nasce também uma série de emoções, de sentimentos e expectativas.


Aprendi a colorir uma vida que muitos dizem ser uma vida em preto e branco.


Aprendi que as cores que faltavam para desenhar essa maternidade, essa nova eu, estavam já por aí, apenas não percebia que as cores que me foram entregues junto com a maternidade não contemplavam este novo olhar.


O grande desafio, foi enxergar minha filha antes do diagnóstico de Síndrome de Down.

Quantas vezes buscava uma conexão com seu olhar, pegando sua mãozinha e de repente aparecia um novo susto, uma possibilidade de outro diagnóstico que pudesse colocar em risco sua vida.


Lembro ainda hoje do dia em que ela me sorriu e eu a enxerguei, eu vi minha menininha linda, de olhos amendoados e bochechas rosadas.

Era ela sim, a criança que tanto sonhei, pois ela era real, ela era minha e eu dela.

Não sei quanto tempo durou aquela troca de olhar, talvez segundos, minutos, não importa, mas ela estava ali, me pedindo para ser apenas a minha menina e eu sua mãe.


Quanto mais nos conhecíamos, mais me sufocavam as palavras e atitudes que insistiam em dizer que a sua vida não deveria ser celebrada.

Palavras como luto me doíam mais que qualquer diagnóstico.

E comecei a questionar, a fazer novas perguntas, sobre mim, sobre ela, e principalmente, sobre sermos respeitadas por quem somos.


Este blog é um convite.

Um convite para ReDesenharmos a vida.


ReDesenharmos a história do nascimento dos nossos filhos;

ReDesenhamos um novo olhar sobre palavras que impedem o nosso crescimento e dos nossos filhos;

ReDesenharmos as possibilidades e o futuro.


Ressignificar e ReDesenhar a vida tem sido algo muito importante para mim, e pelo que pude perceber, para muitas outras famílias também.